Um blog Experimental, sem nenhuma preocupação com o que é certo ou errado - como na ciência experimental, tudo aqui é relativo... Relativo a mim!

sábado, março 27, 2004

"Paixão de Cristo"

OBS. Este post pode não ser adequado a católicos fervorosos. Na quinta, cheguei na UFRJ às 8:00 e me deparei com um bilhete do professor informando que ele estaria fazendo experimentos e não poderia dar aula. Legal! Legal? Bom, eu ainda tentei ser útil ao Brasil fazendo uns relatórios de Farmacologia, que ficaram prontos lá pelas 9:00 da manhã! Tinha seminário ao meio-dia, mas resolvi matar! Não deu outra: 12:05, minha orientadora (não a minha chefe!) me ligou. Nem atendi. Fui almoçar com a Viviane e, como não queria ir para casa, fui até o Ilha Plaza. Lá liguei para a Mariana que, mui gentilmente, me fez companhia (afinal ela estava do lado de casa!). Acabamos indo ver "Paixão de Cristo", de Mel Gibson (isso mesmo! Além de "Máquina Mortífera" ele também tira uma onda de diretor), com Jim Caviezel e Monica Bellucci (Mamma mia!). IM-PRES-SI-O-NAN-TE! Sério, demais o filme. Atenção spolier: Mel Gibson tem seu mérito ao fazer um filme simples, rico em detalhes, sem a valorização exacerbada da vida de Cristo tão comum à Igreja Católica. O filme não trata da vida de Cristo, mas sim do episódio conhecido como a Paixão de Cristo (lógico, este é o nome do filme). Cenas muito interessantes, como a que Jesus pisa em uma cobra ("...pisarás o leão e a serpente..."), ou a que pede que Pedro largue sua espada e cura a orelha ferida de um soldado romano ("...aquele que vive pela espada pela espada morrerá..."). O filme me fez pensar, do alto (ou seria do "baixo"?) do meu ceticismo e cientificismo, que, se realmente a Paixão de Cristo existiu ela ocorreu exatamente da maneira retratada no filme. Fantástico o fato do filme ser falado em duas línguas, aramaico e latim. Cenas altamente chocantes e impressionantes, como a das quarenta chibatadas a que Jesus é submetido (contadas uma a uma em latim) ou a que, já na cruz, ele é defendido por outro crucificado, e responde que eles estarão juntos em breve. A crueza com que os detalhes dos castigos físicos e a crucificação são mostrados assusta até os mais durões. Eu mesmo tive vontade de chorar em algumas das cenas. A vida do Jesus de Nazaré (a Santa Ceia, o apedrejamento de Maria Madalena, o Santo Sudário...) é mostrada apenas em flashbacks, sem nenhuma supervalorização! Na verdade, para mim, um dos grandes méritos é justamente este! Esperava inclusive uma cena "fantástica" da Ressurreição, mas não, foi uma cena extremamente simples e técnica, objetiva e excelente! Até o Satanás faz umas pontas no filme (meio desnecessárias...)! Não vi muito do tão propalado anti-semitismo, mas a cena em que Jesus é levado como herege, já castigado, pelos sacerdotes judeus aos romanos, é crítica para tal argumento. Pergunta-se se os judeus desejam ver "Jesus, homem acusado de heresia" ou "Barrabás, cruel assassino" livre, e os judeus respondem "Barrabás, o assassino!". Pergunta-se que castigo os judeus desejam para Jesus, e os judeus escolhem "Crucificação!" Estranho para mim foi a placa pregada à cruz; eu aprendi e já vi imagens com as iniciais I.N.R.I (Iesus Nazarenvs Rex Ivdaeorvm), mas no filme aparecia escrito por extenso! Alguém pode me esclarecer isso? Por favor me perdoem por contar assim o filme (mas bem que eu avisei que era spoiler!), mas foi necessário. Parem de fazer o que quer que estejam fazendo e vão ver o filme. Vou estragar mais ainda sua diversão, contando o final do filme: Ele morre no final!!! E depois ressucita!!!!! Ahm, foi mal pela piadinha, mas foi para descontrair...